VAQUEIRO (90 cm x 70 cm)
Os retratos de vaqueiros que pinto nascem de um vínculo profundo com a história rural da minha família. Essas figuras me reconectam a um território que não é apenas geográfico, mas também afetivo — um lugar onde reconheço gestos, valores e modos de vida que, de alguma forma, continuam a me constituir.
Não busco idealizar o homem do campo, mas compreender como certas imagens atravessam gerações e permanecem vivas dentro de nós. Vejo o vaqueiro como figura de enraizamento — ligada à terra, ao trabalho e ao tempo.
Embora essas obras partam de uma experiência pessoal, percebo que elas também se deixam atravessar por dimensões coletivas.
Ao pintá-los, reconheço heranças e permanências: territórios que seguimos carregando, mesmo quando já não os habitamos. A pintura é um lugar de retorno, mas também de continuidade, pois algumas imagens não pertencem apenas ao passado — elas participam daquilo que seguimos sendo.

