SOBRE O ARTISTA
MEMÓRIA, EMOÇÃO E PERMANÊNCIA
A pintura a óleo passou a fazer parte permanente da minha vida desde o meu primeiro contato com as obras dos impressionistas Claude Monet e Renoir e de Van Gogh e Pancetti. Fui tomado por um encantamento pelas manchas deixadas pelos grandes imortais, sobretudo as pequenas manchas disformes, imprevisíveis, surpreendentes, como se autônomas, que se sobressaem para quem vê bem de perto! Por isso estou aqui!
Meus primeiros passos foram dados como aprendiz da artista Ana Carvalhedo. Tive como mestres Marcus Cláudio, Alexandre Reider, George Mend, Marcelo Rocha e Jackson Cristiano. No desenho, fui aluno de Alex Oliver e Gabriel Paula. Nos estudos de história da arte, encontrei em Ana Valeska, Luciana Eloy e Pedro Boaventura, na Galeria Multiarte, fundamentos que sustentam minha investigação atual.
Antes de todos, porém, houve o gesto silencioso de minha mãe, Maria do Socorro, a quem dedico esta trajetória. Na infância, eu a observava pintar pequenos trabalhos. Talvez ali tenha começado tudo.
Uma parte significativa do meu trabalho nasce das lembranças da infância, especialmente das experiências compartilhadas com meus pais e irmãos. Minha pintura investiga a imagem como campo de memória e emoção. Pinto movido pela experiência afetiva que certas imagens despertam — tanto aquelas originadas em vivências pessoais quanto as que pertencem ao imaginário coletivo. Retratos de atores, artistas, pensadores e personagens históricos não surgem como exercícios de representação, mas como ativadores de lembrança. Interessa-me menos a reconstrução fiel das feições e mais a atmosfera emocional que essas presenças ainda provocam.
Esse mesmo impulso atravessa minhas paisagens, muitas vezes construídas no limite entre figuração e abstração. Influenciadas pelas praias da infância e pelo universo rural ligado à história da minha família, essas pinturas não pretendem descrever lugares específicos, mas evocar territórios onde lembrança e sensação permanecem em constante transformação.
Compreendo, assim, minha arte como um campo contínuo onde o pessoal e o coletivo se encontram, e onde a imagem pode existir simultaneamente como lembrança, presença e transformação.
Minhas pinturas revelam não apenas minha memória, mas algo ainda mais amplo: a experiência humana de perceber que certas imagens nunca nos abandonam completamente.

