CARLITUS (90 cm 70 cm)
2025
Por trás do personagem Carlitos — o vagabundo com o chapéu-coco, bengala e sapatos gastos — havia alguém que conhecia de perto a dor, a pobreza e a rejeição.
Chaplin teve uma infância extremamente difícil: cresceu em meio à miséria em Londres, com o pai alcoólatra ausente e a mãe sofrendo de problemas mentais. Passou parte da infância em orfanatos e asilos. Essa solidão precoce deixou marcas profundas que ele transformou em arte.
Se observarmos seus filmes com atenção — Tempos Modernos, O Garoto, Luzes da Cidade, O Grande Ditador — percebemos que o riso nunca vem sozinho. Há sempre uma ponta de melancolia, um olhar perdido, uma lágrima contida.
Carlitos faz rir, mas também faz pensar sobre a injustiça, a desigualdade, a solidão e a busca pela dignidade humana.
A tristeza de Charles Chaplin não era mostrada de modo direto, mas simbólico, poético e profundamente humano. Ele usava o silêncio, o gesto e o olhar para falar de dor, solidão e esperança.
Por exemplo, na cena do filme “O Garoto”, quando o menino é levado pelos assistentes sociais e Chaplin corre desesperado pelas ruas, tentando alcançá-lo. O abandono repete o trauma do próprio Chaplin, separado da mãe e enviado a um orfanato. Chaplin transforma sua dor pessoal em poesia visual.
Ou no filme “As Luzes da Cidade”, na cena em que a florista cega reconhece Carlitos pelo toque. O riso dá lugar à lágrima contida. Chaplin mostra que o amor verdadeiro é silencioso e humilde, e que, muitas vezes, os corações mais nobres habitam corpos invisíveis.
Esta é mais uma pintura a óleo criada a partir das reminiscências da minha boa infância em família.

